Carta aberta contra a tentativa de fechamento do curso de Letras da UNIP
Definitivamente, é chegado o momento de dizer BASTA!... Mal começou o ano e os professores estão atordoados com a decisão inoportuna protagonizada pela reitoria desta Universidade. Não podemos fingir. É impossível não perceber as razões meramente econômicas que nortearam as investidas contra o curso de Letras. Estas ações desencadeiam nossa indignação, de professores comprometidos com a qualidade de ensino, e temos de nos manifestar perante uma imprudência e uma cegueira inauditas face aos fundamentos discricionários, gratuitos e, insuportavelmente, injustos em que assenta este tipo de decisão.
Uma postura tão mercantil frente aos desafios da educação em São Paulo retira a credibilidade e a consistência de argumentos utilizados pela Unip para justificar sua própria existência. O que começa por revoltar os professores, para além da prepotência, que tais medidas exprimem, é a circunstância de a reitoria ter patrocinado uma divisão com critério duvidoso e vergonhoso entre os campi da Capital e do Interior, fazendo vistas grossas às injustiças gritantes que disso decorreram, com campi mais competentes e mais qualificados, de acordo com avaliação do MEC, a verem-se, agora, confrontados com o inacreditável constrangimento de fechar suas turmas depois de tanto trabalho e empenho de seus professores e alunos. Onde encontrar um exemplo de curso bem avaliado, seja de uma instituição pública ou privada, em que esta situação aconteça? A reitoria da Unip até agora não se deu ao trabalho de pelo menos se justificar. Porém, não vai impor este acinte aos professores e alunos do curso de Letras, nem por arrastamento, ou apaziguar a revolta que grassa entre nós, enquanto não nos oferecer algum esclarecimento.
Ao designar que os campi do interior não abram novas turmas, a reitoria da Unip indignou os professores e semeou o mal-estar entre todos. Como virá depois, com os costumeiros subterfúgios da dificuldade para a implementação de critérios de qualidade acadêmica dos cursos, solicitar aos professores dedicação? A postura ambígua desta reitoria é outro fator de indignação dos docentes, pois a Unip transmite para a opinião pública a imagem, falsa, de uma Universidade preocupada com a formação de seus alunos e, ao mesmo tempo, impede o funcionamento de cursos bem avaliados pelo MEC. De uma vez por todas, recomendamos à reitoria um esforço de compreensão e que tenha presente que não se trata de dificuldades restritas à garantia do emprego individual, MAS DA REJEIÇÃO, POR PARTE DOS PROFESSORES, DESTE MODELO DE ENSINO, porque o mesmo não assegura qualidade, e imputa ao professor variáveis que não podemos controlar, este projeto não está orientado para a melhoria das aprendizagens, e, deste modo, consubstancia uma aventura irresponsável pelo caminho da educação a distância. É assim tão difícil perceber e aceitar esta realidade incontornável? Lembramos, mais uma vez, que o problema destas medidas não está no simples fechamento do curso, mas nos fundamentos e na substância do mesmo: há uma clara intenção de forçar os prováveis candidatos a se inscreverem nos cursos de EAD. Vamos aguardar os resultados da reunião entre a direção do curso e a reitoria nos próximos dias, mas se a mesma não corresponder aos anseios de professores e alunos, consideramos que é chegado o momento de assumirmos a defesa das razões que nos assistem no interior da própria Universidade, com recurso a tomadas de posição institucionais e jurídicas com apoio das nossas representações de classe. Como tal, estamos prontos a nos MOBILIZAR PARA INICIATIVAS REVELADORAS DA COERÊNCIA E DA CORAGEM DOS PROFESSORES QUE FAZEM ESTA UNIVERSIDADE!
Prof. Cláudio R. Sousa |